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FIESC VÊ AVANÇO ESTRATÉGICO EM ACORDO MERCOSUL-UE



Terça, 20 de janeiro de 2026 15:50

A FIESC – Federação das Indústrias de Santa Catarina avalia que a assinatura do Acordo Interino de Comércio Mercosul-União Europeia, concretizada no último sábado, é um passo significativo para a inserção internacional do Brasil em um dos maiores mercados consumidores do planeta, com potencial de fortalecimento da indústria catarinense. Há mais de 26 anos em negociação, o acordo envolve 720 milhões de pessoas.
Em 2025, a UE ultrapassou a China como destino das exportações de Santa Catarina, conforme estudo da FIESC. No ano passado, as vendas do Estado para a União Europeia somaram US$ 1,35 bilhão, um incremento de 10,66% em relação a 2024. As exportações para a UE foram responsáveis por 11,1% das vendas catarinenses ao exterior.
Para o presidente da FIESC, Gilberto Seleme, a assinatura vem em bom momento, em que as tensões geopolíticas reconfiguram as cadeias produtivas globais. “Para SC e o Brasil, ter acordos como esse é importante para diversificar destinos de exportações e minimizar impactos de mudanças repentinas nas relações comerciais, como o que ocorreu com o tarifaço norte-americano.”
“Já temos uma relação forte e estabelecida com o bloco, e o acordo vai potencializar as possibilidades de parceria, já que Santa Catarina tem relevância geopolítica e econômica para o Mercosul. O estado é um hub logístico, produtivo, turístico, de serviços e de integração física graças a sua posição geográfica e infraestrutura portuária. O acordo também abre espaço para alianças estratégicas e intercâmbio tecnológico”, avalia o presidente da FIESC.

O ACORDO
A parceria entre Mercosul e a UE vai além de focar exclusivamente no comércio de produtos e serviços. O Acordo de Parceria entre União Europeia-Mercosul é o mais moderno e abrangente já negociado pelo Mercosul, e contempla alianças estratégicas em áreas como defesa, tecnologia, direitos humanos e relações do trabalho, além de sustentabilidade e mudanças climáticas.
Por ser mais abrangente, tem uma aprovação mais demorada e complexa. Diante disso, a UE decidiu “fatiar” o documento e priorizar a aprovação da parte comercial, o chamado Acordo Interino de Comércio entre os blocos. “Em Santa Catarina temos relações históricas graças a imigração de europeus, além de compartilharmos valores e princípios democráticos, de respeito às regras e normas do multilateralismo e de respeito aos direitos humanos, além de uma corrente de comércio robusta”, destaca Seleme.
O acordo comercial abrange produtos e serviços, cronogramas redução ou eliminação gradual de tarifas, cotas, regras de origem, normas regulatórias e de investimentos. Após a assinatura, sua ratificação será por maioria simples no Parlamento Europeu e submetida pelos países do Mercosul aos seus respectivos Congressos, para aprovação e publicação oficial pelo executivo. O acordo interino será integrado ao Acordo de Parceria (EMPA, na sigla em inglês) quando este for aprovado.


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